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CD DO MR CATRA 2013 BAIXAR

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postado por Daniele

CD DO MR CATRA 2013 BAIXAR

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    Clique agora para baixar e ouvir grátis Mr. Catra - CD As Melhores () postado por Taciano Soares em 13/05/, e que já está com. Catra - A Fúria do Catra postado por JUNIOR DIVULGAÇÕES em músicas do CD. MR. CATRA - FICA NA MORAL Baixar; MR. NOVO CD DO MC CATRA BAIXAR - Ele mesmo se fixou. Diferentemente de outros artistas funk, Mr. Black British Culture and Society. Mais lidas em.

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    Seu cabelo, em um tom de loiro levemente avermelhado e penteado com bastante creme, passava de seus ombros e formava muitos e pequenos cachos. Conrado e Aleksandro — Lobos FRY, Peter. Um dinheiro sadio. Eu rio. É demais, parceiro. Steps to an ecology of mind. A mimese produz esse pequeno truque de oscilar entre o muito igual e o muito diferente.

    Catra - A Fúria do Catra postado por JUNIOR DIVULGAÇÕES em músicas do CD. MR. CATRA - FICA NA MORAL Baixar; MR. NOVO CD DO MC CATRA BAIXAR - Ele mesmo se fixou. Diferentemente de outros artistas funk, Mr. Black British Culture and Society. Mais lidas em. MC: MR. Catra Álbum: A Fúria do Catra Lançamento: Faixas: 22 mp3 format. Tamanho: 57 Mb Qualidade: Digital Áudio Repertório: Atualizado Créditos. Baixar? MENU. Funk Cd As Melhores do Mc Daleste CD - FUNK PARA 18 - PROMOCIONAL DE ABRIL · cd mc Mr. Catra - A Fúria do Catra (). CD - MC Rodolfinho - (Só As Melhores) Download - Sua musica. CD - MC Lon Buchecha - Ao Vivo (Áudio DVD) 15 Anos de Sucessos MR. Catra O Rei da Putaria CD Promocional Download - Sua musica.

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    Eu me pergunto como ele conseguiu fazer aquilo. Mas desta vez tudo deu certo. Em seguida se mostra furioso. Sílvia saiu e levou a chave de casa. Vou até Guapimirim. Puta que o pariu! Sílvia é mó vacilona. Vai à praia e deixa a porra do tele- fone desligado. O bagulho é daqui a pouco, tenho que trocar de roupa.

    A voz de Sandro, de uma potência que só os DJs possuem, me deixa ainda mais descentrada. Mas recobro o prumo. Ficamos ouvindo. O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo até minha alma se sentir beijada, ai [ Entrou com aquele suin- gue novo e juntou naquele beat eletrônico.

    E veio para o Brasil. Eu peço a Sandro que grave um para mim também e Kapella pede a Catra que lhe deixe o cigarro que traz entre os dedos. Eu fico com Sandrinho. Sandro começou a dis- cotecar aos quinze anos de idade, e hoje concilia o trabalho com Mr. Catra com a carreira independente que lhe garante sólida presença na Europa. Mas o que se afigura é que a agência do som parece ultrapassar a das palavras.

    Reproduzo a letra abaixo. Êta pô!

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    Como é que é o bagulho? Do jeito que tem que ser! As palavras e os fraseados valem como mais um som, um instrumento musical. Seria outra pessoa. É assim que majoritariamente produzem inovações na cena funk. O interessante de um sampler é também ele ter sua origem reconhe- cível.

    O funk, inicialmente dançado em formato de soul na privile- giada Zona Sul do Rio de Janeiro, foi ressignificado nas favelas cariocas. O que define o funk é o BPM. Porque o beat toca sozinho.

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    Você sabe que é funk. Você vem cantando uma letra sensual, depois entra o beat. É o beat que dita Mr. É preciso se submeter ao seu beat. A gente fazia muita coisa em cima da base dos gringos. Agora a gente tem que criar. E essa que é a melhor, a coisa mais gostosa Mr. Arnd Schneider , interessada mais especificamente nas incorporações feitas por artistas contemporâneos de elementos estrangeiros, condiciona a ativi- dade apropriativa à própria qualidade de otherness, de estrangeirismo, que deveria ter o elemento incorporado.

    Foi desta maneira que Beto da Caixa e Catra come- çaram a trabalhar juntos. Beto era compositor, mas era também quem dirigia o carro para Catra fazer seus shows. Passados muitos anos, Beto voltou a trabalhar com Catra, compondo e dirigindo. Muitos dos shows de Mr. Catra acompanhados por mim foram antecedidos ou sucedidos por apresentações de grupos de pagode.

    O funk, como negócio, cresceu e junto veio a necessidade de transportar mais pessoas. Mas a ideologia da velocidade, associada ao novo e à tecnologia, permaneceu. Deixa os cara gravar porque ele sabe o que ele vai fazer. Você pegando uma coisa de um, com uma coisa de outro. Acesso em: 26 de agosto de Rocha, ao início deste capítulo. Aí faço uma parada maneira Rocha e Mr. No funk é o seguinte: você faz um som, leva num DJ, se o DJ da favela gostar do teu trabalho, o cara começa a executar na favela.

    Rodrigo, o MC Novim, sobrinho de Mr. Veremos, inclusive, que muitas vezes o que se busca é o uso mais explícito possível desse significado. Tampouco é o social que o explica. O contraste entre uma e outra letra, acredito, ilustra bem o ponto que procuro fazer.

    Catra Este capítulo tem duas ambições fundamentais. Uma delas é trazer para o primeiro plano o artista Mr. Até o momento, o tomamos como mais um dos que compõem a sua rede de relações, seja em seus ambientes doméstico ou artístico. Em alguns momentos, Mr. Em outros, Mr. Diferentemente de outros artistas funk, Mr. Catra canta MPB, reggae, hip-hop, pop, soul e samba.

    Este entrelaçar de diferentes gêneros musi- cais se faz presente igualmente em seu cotidiano profissional, através de seu trânsito por distintos universos sociais e estéticos cariocas, nacionais e globais. Parece ser distintivo do funk uma lógica subversiva que se constrói a partir de uma dinâmica que toma o poder estabelecido oficialmente e o gosto a ele associado de modo contrastivo.

    Veremos, assim, que juntamente à habilidade de desafiar o outro rival, as oposições, ao invés de reificadas, tornam-se embaralhadas. Como antecipei, Wagner permite-me avançar em minhas elabora- ções sobre o funk, de uma perspectiva de viés mais sociológico para uma que entendo como sendo mais propriamente antropológica. E foi por este motivo que Mr. Evoluiu do mesmo modo lento, extenso e intenso com que se desenrolou o meu trabalho de campo.

    Falavam do mesmo mas em outro registro, no registro da arte. É por este motivo que Mr. Vamos traficar cultura Desentoca dessa Marca atividade O negócio é plantar pra colher [Essa parada. Sem neurose. Isso daí é a realidade do cotidiano. Esta retórica esteve presente nas falas de Mr. Sugiro, entretanto, que esta ideia é fortemente compatível com o universo em que pesquisei. O funk carioca é produto desse ir e vir entre sociedade formal e informal do qual Catra é, nesse sentido, um expoente.

    Diferentes mas iguais. Além disso, para quem compreende o dialeto próprio às facções, ela discorre explicitamente sobre grupos cri- minosos rivais e seus principais chefes. Mas estas narrativas descrevem o outro inimigo mais como um rival que estimula a disputa, do que como ameaça disruptiva. Dono de uma voz rouca e melódica, que faz interessante contraste com outras vozes funk, Mr.

    Ele canta, Civic Honda [ha, ha, ha] Civic Honda Uísque e Red Bull Catra, Cidinho e Doca. Ele sabia que eu queria conversar e ele mesmo me avisara, em minha chegada, que estava com especial vontade de falar. Pais, muitos deles com suas bicicletas, aguardando a saída de seus filhos de uma escola municipal próxima. Eu disse-lhe que ele precisava falar mais alto, porque ele falava coisas importantes e assim nada seria registrado.

    Eu me considero funkeiro. É o som que me lançou, foi o som com que me identifiquei, é a cultura que eu alterei, que eu tenho liberdade para mexer.

    Do beat, até a dança, até as levadas, até o flow Foi a cultura que me abraçou, que me adotou. E se hoje eu tenho alguma coisa é graças ao funk. É a minha cultura de verdade, porque eu faço do meu jeito, do jeito que eu quero fazer. Do jeito que a minha cultura me aceita. Porque a minha referência no funk sou eu mesmo.

    Escolhi [o funk] em primeiro lugar porque é o lance mais autêntico pra se fazer. Eu seria alguém. Se eu fosse alguém na cultura do samba, eu seria mais um do samba; do rock, eu seria mais um do rock; do rap, eu seria mais um do rap. Porque [sendo] playboy, você só é playboy. Catra confunde, subverte os papéis. Foi isto que seu pai Edgard lhe ensinou a fazer, misturas e mediações de um modo que, acredita Catra, é mais próprio ao negro.

    E foi na escola que montou sua primeira banda, de rock, que se chamou O Beco. Mais tarde ele formou o grupo de hip-hop O Contexto. Catra e Duda do Borel. Catra, no interior da casa, se postara à janela para acompanhar de longe o desenlace do entrevero, ladeado por Sapinho. Sílvia desce as escadas de seu quarto e, com olhar altivo e certo desdém, passa por nós, sai pelo jardim e desfaz o mal-entendido, enquanto os dois homens olhavam e davam ordens da janela. Catra e de sua família como um todo.

    O que penso era novidade para a família foi o fato de eu ter vivido alguns anos em Israel, como expliquei em res- posta à pergunta de Sapinho, relatando os lugares por onde morei. Sai pelo jardim enquanto veste uma t-shirt branca com dizeres em preto, da RapSoulFunk, a empresa que gerencia artistas de hip-hop e funk e com a qual ele tem conexões. Muito louco! Ele, como Primo Preto, é negro e escolheu o Rap, mas veio de família em que conviviam brancos e negros.

    Ele refaz a letra com a ajuda de Dr. Rocha, que a reescreve em uma folha de papel, corrigindo a sua métrica. Rocha é uma figura mais fechada, introspectiva. É de alguma maneira o intelectual do grupo, enquanto Catra é o filósofo. Rocha é como o duplo do cantor, cuidando para que as ideias que compartilham sejam passadas do modo que julgam adequado.

    O mesmo se deu quando eu conversava a dois com Kapella e em outros momentos. Catra diz a Sapinho que ele precisa rever o teor de sua letra. Pegar quarenta cabaços. Que problema Além de ter problema com mulher a vida inteira, ainda arruma problema depois da morte. Pô, [a pessoa] vai morrê, [ao] invés de pegar quarenta piranha, vai pegar quarenta cabaços?

    Por que só você bota essa sua cara horrível ali, cara? Porra, toda hora abre a porra vem um feioso ali. Só homem no bagulho, mó carona feia.

    2013 CD CATRA DO BAIXAR MR

    Catra refere-se à imagem que o jovem DJ colocou como o ícone de seu HD na tela do monitor do computador. Eu tô fazendo o esboço do bagulho. Pô, cê quer fazer os bagulho Calma, cara. O Sapinho viaja. Pô, você é muito louco. É demais, parceiro. A putaria apresenta traços de continuidade com o proibido. Além disso, ela retém o elemento transgressor do proibido. Sem contar que a ressonância de um e outro subgênero, proibido e putaria, marcam momentos distintos da trajetória histórica do funk.

    Passada a moda dos proi- bidões, o elemento subversivo permanece atuante na putaria. Oi cachorro Quer din din? Pede um X9 pra mim Quer din din? É aí que chega a hora da cultura. E o funkeiro tem muito disso. O funkeiro curte um som que ninguém imagina. De alguns ele gosta mais, de outros menos, podemos perceber. Chega de funk. Como ele fez antes de parodiar o rock nacional na boate Baronetti, localizada no privilegiado bairro de Ipanema e detentora do ingresso mais caro dentre os locais pelos quais circulei com o artista.

    Agora chega. Para, para. E evidencia mais uma vez o aspecto englobante do funk. Sabe esses dias que tu acorda de ressaca? Sabe estes dias em que horas dizem nada? A boneca de Mr. Catra, como a original, traria consigo um imóvel. Catra, ao elaborar sobre o repertório que a cultura lhe oferece, pro- duz o deslize presente no trabalho do bricoleur.

    Sem jamais completar seu projeto, o bricoleur sempre coloca nele alguma coisa de si Lévi-Strauss, [], p. Contudo, argumento eu, é através das operações miméticas que realiza, bem como do modo como se utiliza do humor e do riso, que ele se mantém coerente com o posicionamento político que veio expressando ao longo da pesquisa e que surge implícito nesta etnografia.

    O aspecto político é peça fundamental para se compreender Mr. Para uma síntese a respeito, ver Lagrou b. Para a maneira como o riso acom- panha acontecimentos cotidianos no contexto da favela, ver Goldstein Foi exatamente isso que presenciei quando, ainda ao início do traba- lho de campo, o DJ Edgar, antes de Mr.

    E eu acrescentaria, qualquer lógica subvertida. O corpo é sujeito de suas escolhas.

    Deve-se buscar o significado do objeto de maneira que se entenda por que os objetos se tornam significativos para as pessoas, ao ponto de as pessoas passarem a se identificar com os objetos ou até se indiferencia- rem deles.

    Os autores sugerem ainda um uso apenas heurístico para o que possamos vir a chamar de coisa. Ao longo de toda a tese, adoto as diferentes perspectivas sobre o objeto material como destacadas acima.

    A ferramenta, que Ingold igualmente define como estendendo a capacidade de um agente Ingold, , p. A primeira vez em que notei o seu poder transformador foi em Tina, como chama- rei a moça que trabalhava na casa de Sílvia assim que iniciei meu campo.

    Sílvia viera me buscar para que fôssemos ao baile do Tuiuti, uma favela na Zona Norte da cidade. Nesta noite ela trajava um vestido vermelho e trazia seus cabelos negros alongados.

    Eu chegara na casa sem avisar, para mais uma visita. Os cabelos estiveram todo o tempo presentes, contudo foi em seu uso ambíguo que eles revelaram toda a sua potência. Sílvia, em seu sétimo mês de gravidez, viera dirigindo desde sua casa em Vargem Grande, bairro da Zona Oeste da cidade, e subira apressa- damente as escadas do camarim em busca de um toalete. Igualmente curto, seu vestido era do tipo tomara que caia e baloné: bufante e esvoaçante, solto no corpo e preso às coxas por uma barra larga, na mesma visco lycra que compu- nha a peça de roupa.

    DG lança CD “Siga o mestre”

    Esta malha, fina, fria e mole, era estampada por um motivo abstrato cujo estilo é inspirado nas estampas do designer italiano Emilio Pucci, de ares psicodélicos e hit da moda europeia da década Cíntia, através de suas roupas e cabelos, nos fala sobre sua habilidade em manipular representações. Quando deseja ou lhe é conveniente se apresenta como funkeira.

    MR CD 2013 DO BAIXAR CATRA

    E quando quer pode também passar por uma jetsetter internacional. Ambas as roupas possuíam o mesmo estilo. O rapaz se aproxima de nós, cumpri- menta a Cíntia, que logo nos deixa. Muitas vezes, como aparece no primeiro capítulo, acompanhei o artista em suas turnês, do começo ao fim da noite. Em outras ocasiões seguia com Sílvia e suas amigas. Nos pés trazia 5 A marca Osklen inspirou o nome de um grupo de cantores e dançarinos de funk, o Bonde da Oskley.

    Entendem que o jogo com o nome de sua etiqueta, que remete ainda ao de uma outra marca muito apreciada por funkeiros, a Oakley, indica a incapacidade destes de proferir de forma correta o nome Osklen. Ele vestia uma calça social preta, de pregas e pernas soltas, uma camisa também social, de listras azul e branco, para dentro da calça, sobre uma blusa t-shirt de malha branca, cuja gola careca aparecia pelo colarinho branco da camisa, de punhos também brancos, que estava aberto.

    De fora de onde? Eles quem? Os de fora da favela ou os de fora da Zona Sul? Território que é todo ele de Maiquinho e seus pares. Chegamos ao Leblon, e decido seguir pela rota que margeia a praia. Caímos no início da avenida Delfim Moreira. Aprendeu o seu ofício junto com uma amiga, cada uma colocando extensões nos cabelos da outra. Em cada cabeça coloca-se cinco a seis amarrados de cabelo. Encontrei com Taninha na casa de Sílvia em três diferentes oca- siões.

    Na primeira vez ela fazia os cabelos de Tina, como descrevi no começo deste capítulo, tarde que corresponde a um momento mais ini- cial da pesquisa de campo. Por este motivo, moças de corpos magros e poucas curvas elegiam peças de rou- pas alternativas. Além disso, o moletom stretch, o tecido que compõe o estilo, apesar de ser uma malha, era suficientemente resistente para receber as ações embelezadoras que a fizeram peça de roupa apropriada para a esfera da festa, com elaborações barrocas como bordados, cris- tais, perfurações, tachas de metal, encaixes de outros tecidos, rendas e telas.

    Ao invés de circunscreverem as pessoas, os cabelos as magnificam, as levam pela cidade, que era o que lhes interessava agora, mais do que dançar. Adriene e Lívia foram minhas interlocutoras durante a pesquisa de mestrado. A segunda, moradora do Morro da Coroa, no bairro do Catumbi, Zona Central da cidade, tampouco usava sua calça ao dançar nas boates do Centro da Cidade. Explorara sim os cabelos masculinos, sobre os quais elaborarei no capítulo a seguir.

    O cabelo é a coisa mais importante, mapoa Por isso posso pensar que a bunda é o mais importante. E cachos bem alinhados exi- gem que sejam molhados diariamente para depois receberem o creme de pentear. Como resultado, as extensões permitem maior versatili- dade, possibilitando escapar aos alisamentos que usaram no passado, e eram mais ou menos definitivos. As produções dos cabelos foram, contudo, acompa- nhadas das produções por todo o corpo.

    Célia e Thamyris, por sua vez, arrumavam-se para sair. Pergunto a Thamyris se posso tocar seus cabelos, e ela diz que sim. Resolvo ir com elas. Ao longo da pesquisa de campo, Mr. Estas blusas custavam entre cinco e vinte reais e eram vendidas de porta em porta, em pequenas lojas e nas fei- rinhas. Esta é desenvolvida de modo a atender o gosto local. O gosto global precisa se submeter às suas vontades. Célia, após ter saído de casa aos treze anos, foi morar na rua, em Copacabana.

    Na noite seguinte, ele voltou e ela, para se defender, cortou dois de seus dedos com um caco de vidro. Célia foi até o policial e disse-lhe que era ela a autora dos cortes. E assim foi presa. Célia, à época do trabalho de campo, estava com trinta e seis anos e se dizia muito grata a Deus por ter o emprego em casa de Sílvia. Célia, passado um tempo, começou a se transformar, deixou de ser doce, parou de tratar de seus cabelos e foi aos poucos se ausentando, até desaparecer da casa.

    Frequentemente perguntei por ela, até que me disseram que ela havia se viciado em crack, droga tida como altamente letal e que volta e meia ressurgia em narrativas que envolviam relações disruptivas.

    Como apareceu em Tina, que um dia retornou para sua casa e a encontrou vazia.

    Ops (part. Mr. Catra) - Pollo - scottcalhoun.info

    Seu marido, também viciado nesta substância, havia desaparecido com todos os seus pertences. Chegamos a Madureira, após cinquenta minutos dirigindo.

    Nos dirigimos para o display onde ficam os cabelos anelados e pretos. Célia é atraída pelo cabelo loiro. Vimos ocorrer procedimentos equivalentes com os bonequinhos de Sílvia, originalmente brancos e posteriormente pintados de preto, e com a prima de cabelos e olhos negros que tingiu os primeiros de loiro e os segundos por meio do uso de lentes de contato verdes.

    Entramos em um pequeno e simples prédio. Penso que o seu bem-estar talvez fosse causado pelo frescor que o ar-condicionado produzia no ambiente. Ela paga ao entrar qua- renta e cinco reais, e Thamyris desembolsa um pouco mais do que o dobro desse valor. Mas ao fim tivemos uma tarde em que compartilhamos conversas que pareceu a todas nós muito interessar. O processo de relaxamento é relativamente simples. Passa uma mulher com cabelos enroladinhos, cujo comprimento chega ao meio das costas.

    Se assemelham aos cabelos que usava Luciana, a prima de Sílvia, na noite em que a buscamos em casa com Thamyris. Procuro entender melhor o tipo de cabelo que lhes agrada. O meu cabelo me parecia especialmente anelado naquele dia, pois estava recém cortado e o cabeleireiro havia repicado-o mais do que o usual.

    Inventaria uma cirurgia pra trocar o couro por um que permitisse nascer um novo fio de cabelo. Seriam três aplica- ções. Subimos para o segundo andar, onde ficam as pequenas salas indi- viduais.

    Eu fico fascinada pelo trabalho e seu preciosismo. Joana me leva até a manicure no primeiro andar para que eu veja melhor o trabalho artístico que ela faz. Preenchendo toda a superfície negra encontram-se unhas postiças decoradas e agru- padas em ordem crescente. O efeito desse todo é fascinante. Eu digo que de certa maneira isso é verdade. Falo que o cabelo de Renata, por exemplo, me equivocou, especialmente porque a familiaridade que eu ainda possuía com as extensões era com aque- las do tipo longo.

    Este desenho, ela me explica, é possível desfazer e refazer de outro modo depois de os implantes terem sido colocados. Joana também usa o mesmo tipo de trançado, e seu cabelo é ainda mais curto.

    A mimese produz esse pequeno truque de oscilar entre o muito igual e o muito diferente. Ele é assim mais suscetível às doenças, como seriam também as pessoas muito brancas. E eu falo que era esse modelo mesmo que eu vestia. Era isso que a imagem tinha de especial, cabelos anelados, sedosos e pretos.

    Renata conta que a filha, quando menor, usava uma pequena touca e, quando aproximavam-se para falar com a menina, ela removia o adereço de sua cabeça e impres- sionava a pessoa que, encantada e deslumbrada, festejava ainda mais a bebê.

    Se casou e teve três meninas. Tomou gosto pela atividade e acabou tornando-se cabeleireira.

    Estes enfatizam como herda- ram o ofício de algum parente próximo, imitando-os. Mas lamentava o fato de estar desempregada. Havia a promessa de uma faxina, que lhe renderia cento e cinquenta reais.

    Pode faltar tudo, comida pra comer, roupa pra vestir Querem passear pelo bairro. Atravessamos a rua e para- mos em uma loja que vende presilhas para o cabelo. Vamos até o camelódromo de Madureira.

    Voltamos para a rua e passamos por alguns camelôs, onde elas compram brincos. As respostas às minhas provocações foram sempre evasivas. Isto fica muito evidente em Célia, que, através de sua aparência, comunicava que sua vida seguia por novos rumos. No caso dos cabelos, afirmações equivalentes tiveram que ser lidas nas entrelinhas. Sento-me à mesa de jantar, onde Taninha faz os cabelos de Thamara, filha de Catra, mais nova do que Thamyris e filha de Neuma e outro homem.

    Taninha mistura três diferentes tonalidades de cabelos na cabeça de Thamara. Mas Thamara comprou ainda mechas pretas e outras marrons. O efeito estava ficando bastante interessante e pensei que aquele era um modo diferente de se tingir os cabelos. Taninha segue falando sobre as angolanas que atende e me per- gunta se Angola fica perto. Ela explica que, diferentemente das brasilei- ras, as angolanas querem cabelos o mais liso possível.

    Com a novela, prevê, ao verem os cabelos da personagem principal — longos, fartos e anelados — essa tendência deve mudar.

    Ao mesmo tempo, discorrerei sobre os objetos que circunscrevem o universo masculino funk e a maneira pela qual a cultura material se configura em importante marcador de gênero. E, como desdobramento desse foco empírico sobre os objetos que proponho chamar de masculinos, seremos forçosamente levados a tangenciar as relações de gênero.

    Com o passar da noite, o espaço foi sendo ocupado pelos dançarinos, e os efeitos do som diluídos. Moças e rapazes estavam belamente vestidos, com produções esmeradas. Dentro do baile, os rapazes se destacavam.

    Com a quadra tomada pelos jovens, Neuma preferiu sair. Juntaram-se a nós algumas conhecidas de Neuma e nossa conversa toma os caminhos da beleza e da aparência física.

    Conversava-se, bebia-se, dançava-se e flertava-se. Neuma o chama e me apresenta a ele, dizendo conhecê-lo desde garoto, do morro. O rapaz é um mulato claro, de pele morena e lisa, do tipo que fica acobreada com o sol.

    Neuma é uma mulher morena e pequena, de quadris largos e seios fartos. Da birosca, plantada sobre uma plataforma acima do nível da rua, era possível observar o movimento dos jovens que subiam e desciam a ladeira que dava acesso ao local da festa. Este ir e vir criava uma boa oportunidade para as moças exibirem seus corpos expostos e realça- dos por roupas aderentes e reluzentes, graças às aplicações de cristais e metais.

    Subir a ladeira, inclusive, tornava ainda mais salientes as formas arredondadas de seus quadris. Thamara e sua amiga se aproximam de nós. Seu cabelo, em um tom de loiro levemente avermelhado e penteado com bastante creme, passava de seus ombros e formava muitos e pequenos cachos. Thamara, muito mais corpulenta do que a amiga, veste roupa de estilo similar, mas sem tantos detalhes.

    Essa recorrência da roupa justa entre as classes populares cariocas coloca questões interessantes quando a contrastamos com os universos das classes médias. Por este motivo, diz Mr. Os corpos femininos superexpostos ou super-realçados eviden- ciam e presentificam a sua potência ao se contrapor à estética dos corpos masculinos, que, no ambiente funk, devem estar encobertos.

    A estética corporal, no que concerne as relações de gênero, é desambiguizadora.

    CD Thiago Brava – Ao Vivo em Goiânia (2013)

    Ele veste uma calça jeans ampla e uma jaqueta cinza clara, com as costas estampadas por desenho em tom de cinza mais escuro, o mesmo que vemos no avesso do capuz de seu aga- salho. Rodrigo traz às costas uma mochila, em material emborrachado branco, com leves riscos pretos e vermelhos, que parece absolutamente vazia. Molda-se à sua roupa. Parece mais um detalhe de sua jaqueta do que um acessório. Calça um par de tênis preto, sobre a cabeça traz um boné vermelho e um pequeno brinco cravejado de cristais adorna uma de suas orelhas.

    Graças a deus a gente ainda tem aquele tradicionalismo. O gosto de Rodrigo se constrói a partir de uma estética menos ascé- tica, que usa e abusa das elaborações feitas no próprio corpo, o que pode ser mais bem vista a partir de seus penteados. Qual a diferença entre o charme e o funk? Um anda bonito, o outro elegante Qual a diferença entre o charme e o funk? Um anda bonito, o outro elegante Eu sou charmeiro ando social Camisa abotoada num tremendo visual sinalizavam um estilo emergente no baile, composto pela calça jeans ampla e por camisa pólo listrada.

    Para maiores detalhes sobre a trajetória do DJ, ver Matta O grande investimento dos rapazes recai sobre os acessórios, aí incluídos os cabelos e os tênis, além dos bonés, chapéus, colares e apa- relhos de telefones celulares.

    Os tênis devem ser, sempre que possível, de marcas estrangeiras e genuínos. E, como as roupas, em sua maioria reprodu- ções de originais compradas em mercados informais da cidade, poderiam ter sido adquiridos em qualquer parte do mundo. Diferentemente, os adornos feitos com os cabelos afirmam a particularidade de uma estética.

    Contudo, é possível dizer que a categoria designa amplamente aquele de fora da favela, e mais especificamente os filhos bem nascidos das camadas médias urbanas cariocas. Os cabelos possuem um aspecto conspicuamente falso, artificial, artefatual, feito. E é nessa artificiliadade que é afirmada a singularidade 10 Idêntico aos desenhos das tatuagens de mesmo nome, que formam linhas sinuosas e espirala- das, que se entrelaçam.

    Minha ber- muda cara, meu tênis caro. Eu vou ver um tênis igual ao meu, só que falso. A materialidade dos cabelos evidencia a escolha de uma estética que se define pelo aspecto artefatual dos penteados, demonstradora do sentido de feito e fabricado, que por sua vez finda por conceder ao gosto dos rapazes potência e autenticidade.

    Deleuze , ao tratar da imagem no cinema, substitui o poder da verdade pelo da autoridade falsificadora. O autor opõe dois regimes de imagem: o orgânico e o cristalino. Desta maneira, o falso permite ao cineasta, ao artista, ou ao sujeito que manipula o repertório imagético, explicitar o seu ponto. Mas em seguida temos certeza que ouvimos tiros. Logo os tiros recomeçaram, e desta vez soaram como rajadas de fuzil. A minha vontade de entrar no baile recebeu estímulo adicio- nal, mas mantive-me quieta.

    Como prova do que fala, ela nos mostra a tranquilidade com que as pessoas se movimentam em frente aos bares localizados abaixo. Os tiros continuam, e Maísa insiste em evidenciar por meio da fala o seu medo. Estou aflita com os tiros. Passamos por um mendigo que logo ao início da noite eu vira circulando pelo baile.

    Entro no carro, acompanhada de novas recomendações feitas por Neuma ao motorista para que este tenha cuidado no trajeto. Sentada no banco do carro eu assumia um novo ponto de vista e traduzia assim para o motorista o que poderia ser a perspectiva da favela. Mas eu veria ainda que outras tantas eram possíveis, e as implicações dos tiros poderiam ser muitas outras, articulando ainda tantos outros mundos. Passei alguns dias pensando no que poderia ter causado-me tanto medo.

    E seguindo o seu raciocínio poderia supor-se que do mesmo modo como ali começaram, ali terminariam. E teriam a possibilidade de produzir novos eventos, como uma outra conversa deixaria claro. Dois dias após a festa no Borel, fui até a casa de Sílvia fazer-lhe uma visita de cortesia. Sílvia mora a cerca de quarenta e cinco quilômetros de minha casa, na Zona Sul da cidade, o que me rendia cerca de uma hora e meia dirigindo em meu carro, e a outros tantos quilômetros da favela do Borel, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

    Como de costume, eu estacionara meu carro sobre a calçada que margeia o muro da casa. Sílvia acabava de sair de seu carro, estacionado mais à frente e do mesmo modo que o meu.